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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Vida é isso...

Minha primeira escrivinhação do mês de outubro acontece no Aeroporto Santos Dumont, eu quieta, sozinha, sentada no chão digitando um texto no meu notebook!
Um fim de semana chuvoso no Rio. Compromisso inventados e cumpridos, em parte... parece que a vida da gente é sempre em parte.... e parte... sem rumo certo. O rumo certo pode depender de coragem para abraçar o incerto e o certo é sempre muito duvidoso! Releio, num livro de crônicas de Clarice Lispector que, para ela, escrever era viver e viver era escrever. Penso simplesmente e dialogo com um velho clichê: vivo para escrever ou escrevo porque vivo? o ato de escrever é multifacetado e multifuncional. Cada qual tem sua razão - e sua sem-razão - para escrever. Tem gente que escreve para se mostrar; outros já escrevem para se esconder. Há os que praticam a erudição na escrita; há os que buscam a simplicidade de expressão. Há os que escrevem coisas engraçadas; outros coisas graciosas; outras coisas muito sem graça. Para mim, escrever é antes de tudo refletir. Quando escrevo me construo e me desconstruo; sempre me encontro: comigo, comigo mesmo e com os outros eus - mais ou menos como naquele... O meu filme chama-se Eu, eu mesma e Anabe, num louco redemoinho chamado vida. Mas, voltemos a minha posição. Aqui, sentada no chão - no Aeroporto Santos Dumont no Rio de Janeiro, entrelendo Clarice Lispector e lispecteando minha própria essência. Não escrevo minha essência... as essências podem, quando muito, ser intuidas nas entrelinhas, dos textos e da vida. A vida em si é um grande texto em que todos os gêneros se misturam num tecido louco e colorido.
Encontrei um lugar tranquilo, depos de passar por perto da salas VIPs, que o capitalismo reserva aos detentores do crédito e do capital; mais do crédito diga-se de passagem.... neste mundo, o parecer parece ser mais que o ser. Só parece. Há os seres comuns acomodados em confortáveis poltronas e algumas cadeiras não tão confortáveis assim, e com direito a uma bela vista bela.
Não me aninhei entre aqueles comuns. A claridade ofusca e torna ruim a visibilidade do monitor de vídeo. Depois... não sou tão comum assim... e quero um espaço de ninguém - um cantinho sem cadeiras ou poltronas, nenhuma música e em que as chamadas para os vôos pareçam mais distantes...
Tenho lindas fotos do Rio. Aqui onde cidade, morro e mar fazem afluir de mim um regozijo interior e um pedido de socorro. Porque meus olhos são suscetíveis demais à beleza, e é preciso voltar... Levo comigo paisagens - Paisagens se constróem de imagens e sentimentos. Levo também o alento que só o mar oferece, mas o mar é também salgado e deixa em nós sempre uma sede muito intensa...

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