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domingo, 13 de setembro de 2009

CONTRADIÇÕES

Sidney Breguedo, de O Jacaré Pensador, poemas.

Contradições são coisas reais
Hoje estamos vivos
Mas somos seres mortais.
A borboleta é tão linda voando
Já foi lagarta também se arrastando.
Contrário ao sol é a lua
Fora de casa
Estou na rua.
É tudo tão perfeito
Nesta contradição que tranforma a vida
No meu peito
Em paixão.
Caio no choro de felicidade,
Escuto um chorinho na vitrola
Dos anos setenta
Em um cd pós-moderno
Vejo os pássaros que a criança rabiscou
Em seu caderno
Saírem a voar.
Sujos de tinta mal feitos
Sorrirem felizes.
Perfeita contradição que os fez.

Ceilândia, 2001

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Salve 10 de julho! 100 anos do nascimento do Mestre Vitalino.


Demos viva! Ao Mestre Vitalino
Que com arte enricou nossa cultura *

Arquiteto de um mundo sem par
Construído de barro e sentimentos
Modelaste os quatro elementos
Uniste fogo, água, terra e ar
Nova vida deste ao teu lugar
Libertando os teus da vida dura
És a gênese da arte bela e pura
Foste Deus, foste homem e menino
Demos viva! Ao Mestre Vitalino
Que com arte enricou nossa cultura

O teu sopro no barro trouxe vida
O teu sopro no “pife” trouxe dança
Nele, o Alto do Moura se balança
E pro teu povo surge nova lida
É a terra modelada e cozida
Aos poucos ganhando formosura
Arte livre brotando com fartura
Um tesouro do solo nordestino
Demos viva! Ao Mestre Vitalino
Que com arte enricou nossa cultura

Dez de julho, enfim, és relembrado
Tua terra acorda e rememora
Caruaru sente saudade e chora
O filho ilustre às vezes desprezado
E consagra quem teve ao teu lado
Defendendo nossa arte com bravura
Zé Caboclo, que fez nova leitura,
E a magia ímpar de Galdino
Demos viva! Ao Mestre Vitalino
Que com arte enricou nossa cultura

Evaldo Araujo, 10 de julho de 2009

* Mote do Poeta Jorge Filó

OLHOS DE SARUÊ

Anabe Lopes

Era uma noite serena
Veja só o que aconteceu
Já tarde me recolhendo
Meu entes queridos e eu
De repente lá no quintal
Um mistério sucedeu

Latia inquieta a Pretinha
No velho pé de mangueira
Corri lumiar com a lanterna
A fim de quebrar a cegueira
Em noite que é tão escura
Lampião, lamparina é pasmaceira

Dormia no alto da gaiada
Um casal de guarnizé
Que gente que vem da roça
Sabe o senhor como é
Sertão cravado no peito
Da roça só tira o pé

Pois tavam lá os bichinhos
Doidos a cacarejar
A gente espiava com jeito
E nada podia encontrar
Quando é fé, vi no cantinho,
Dois pontilhos clariar

Com pouco mais de vagar
Eis que vi aparecer
A coisa mais linda do mundo
Que bicho gente pode ver
Brilho, encanto e beleza:
Dois olhinhos do saruê

Do saruê do cerrado
Do plano-alto central
Que gente vem invadindo
Com fúria descomunal
Destruindo flora e fauna,
No próprio peito o punhal

Saruê ou guarnizé
Havia eu de escolher:
O que vive e o que morre
Oh tristeza, pense você!
Fiz assim minha opção
Nenhum dois dois vai morrer!

Olhem vocês meninada
O olhar deste bichinho
Que só quer sobreviver
Neste mundo tão mesquinho
Precisa se alimentar
E um pouco de carinho

Foi assim naquela noite
Resolvida a questão
Em meio a tanta agonia
Fizemos nossa opção
Protejam-se as penosas
Saruê não matem não!!