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segunda-feira, 13 de maio de 2013

Sonho



Anabe Lopes

Esta noite sonhei que chovia
E o meu corpo cansado 
Respirava feliz a umidade da chuva
E o ar enchia todos os meus espaços
E me fazia um ser mais completo
Participante ativo da orla da poesia
E os meu olhos navegavam todo o mar adiante
E era para onde transportava a minha alma
E eu me cercava de peixes e algas
Golfinho e baleias dançavam ao meu redor
E então fui mais que uma mensagem na garrafa
Eu não apenas flutuava perdida nestes mares
Eu dançava sobre as águas...
Saibam, quem não viu,  que nesta noite choveu!
Sonhei que amava...



Imagens da internet

terça-feira, 7 de maio de 2013

Aviso aos navegantes

Anabe Lopes

Às vezes fujo de mim
Outras fujo pra ser eu
Vou da escuridão ao claro
Navego do claro ao breu
E nem sei bem desde quando,
Nem de como aconteceu...
Se o meu coração despertou
Ou se de fato adormeceu ...




quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O dia em que o mundo derreteu


Anabe Lopes

        O dia amanheceu como todo dia: muito igual com algo de diferente...
        Havia uma semana não se viam; há dois dias se convencia de que a única saída, a mais digna, era conceder-lhe, passivamente, o inegável direito de fugir.
Acordou meia hora mais tarde que o habitual, em decorrência das três gotinhas milagrosas que a fizeram dormir, mentalizou a frase dos AA (Apaixonados Anônimos): Hoje não vou chorar.
O pescoço doía-lhe um pouco. Alongou. Deitou-se novamente mais alguns minutos. Quase chorou. Repetiu a frase mágica. Levantou-se.
Lá fora o sol, insuspeito, brilhava como de costume em dias de final de inverno.
Mal deu os primeiros passos e notou que algo estranho acontecia ao redor, ou seriam seus olhos represados? A parede, os quadros da parede, as fotografias do mural... tudo ao redor parecia meio... líquido, enquanto seus gritos internos de “Hoje não vou chorar” enrijecia-lhe o coração.
Dirigiu-se ao banheiro e, ao escovar os dentes, notou que o metal da torneira escorria junto com a água. Mal pode concluir a escovação... a escova foi pelo ralo segundos antes de o próprio ralo ir pelo ralo.
Malgrado o susto, a calma e a frase ainda se mantinha. Vestiu-se e foi para a rua.
A frase soava-lhe alta, soava-lhe firme, soava-lhe forte.
A rua também não estava normal, mas não havia dor... apenas ecoava a frase: Hoje não vou chorar!
        Tentou pegar sua bicicleta e ir pedalando para o trabalho. Ao tocá-le sentiu que ela também se liquefazia... foi à pé. Tocou rapidamente o último girassol, e a flor se desfez, escorrendo de suas mãos frágeis. Uma mulher velha passeava por entre líquidos canteiros, com pontos coloridos a se misturarem no líquido marrom... sorriu ela, que se desmanchou com o último sorriso. Voltou-se pra dentro de si. Notou que todos os seus amores, lembranças, afetos, sonhos e desejos se derretiam... lentamente. Parou num café e pediu um chocolate quente...
Derreteu-se a xícara o chocolate escorreu sobre o balcão que escorria pelo chão que parecia agora criar uma camada líquida que misturava um pouco de tudo: metal, porcelana, plástico, carne humana... arrastava passos pastosos...
Tudo o que conseguia pensar era “Hoje não vou chorar", ainda que o mundo se derreta...

Dois milênios depois, quando os Venuzianos vieram explorar o planeta, não havia nada além de uma crosta estranha que remetia a um tempo em que tudo se tinha... derretido e era como se o planeta todos houvesse sido lavado por um grande rio... E num, ponto do planeta, apenas uma objeto se destacava, seria uma pedra? Concluíram que sim... era mesmo uma pedra. Ela era muito dura, a única coisa que não derretera.
Era pontuda numa das extremidades achatada na outra, de cor vermelho escuro, com alguns pontos bem pretos e pequenos veios nas superfícies pétreas. Na parte achatada resquícios de dois largo tubos, com as extremidades derretidas e a base empretecida... um passo adiante uma inscrição na superfície derretida e solidificada... Com letras meio escorridas ... “Hoje não vou chorar”.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Como é que faz pra parar????

Minha filha sempre foi muito corajosa, desde muito pequena. Nos parques de diversão ia nos brinquedos mais tensos - sozinha -, porque eu, o pai  e os irmãos tínhamos todos nossos medos. Ela não! Ela sempre foi, e ainda é, toda coragem!! Há cerca de um ano e meio recebi uma ligação dela. - Mãe acho que te puxei!!! Quase morri. Estou toda roxa de uma queda de skate. Skate, mas você nunca andou de skate? Ela tinha 19 anos! Nunca tinha andado de skate - gostava de patins -, quando se juntou a uma gangue de cristãos que se reunia todo domingo no eixão do laser - em Brasília -  pra andar de skate. Coisa abençoada!!! E lá foi ela com sua louca coragem. Subiu no skate do amigo  e mandou bala. Não estava presente, mas conhecendo minha menina, pude e ainda hoje posso ver. Ela linda e esguia em cima do skate, agitando os cabelos pretos ao vento... quando na descida, imagino que a cerca de 70 Km/h - que o que dizem que o skate atinge naquela área - em descida livre -, ela se lembra de uma pergunta básica, que as pessoas corajosas e felizes e com o agravante de nascer com o sol em sagitário quase nunca se lembram de fazer, e grita: Como é que faz pra paraaaaarr?? Naturalmente, em tal alta velocidade ninguém nos escuta, e se escuta e responde, nós não escutamos... e seguimos ganhando velocidade e perdendo o controle da situação, até o desastre... Ela acha que me puxou porque de uns dois anos pra cá começei a pedalar, fazer trilha e me aventurar em coisas que eles - meus filhos - nem sonhavam em me ver fazer, mas que eu sempre sonhei fazer... mas essas coisas faço com cautela, talvez em função de meu corpo não ser mais jovenzinho - tenho medo de quebrar ossos, principalmente os meus!! Também tenho medo de ferir sentimentos - se eu me ferir gravemente, minha mãe e meus fihos vão sofrer... A minha filha decidiu, na pressão, saltar do skate. Precisava ver como ela se machucou!! Ralou as costas, bateu com o maxilar, ganhou um imenso coágulo de sangue em cima do osso da cadeira, do lado direito. Se fosse meu filho Guilherme, ele saberia o nome desse osso... eu não! Foram dias de anti-inflamátório, radiografia do maxilar - felizmente tudo certo - e pelo menos dois meses de implasto quente pra desfazer o coágulo...
No dia que ela me ligou, eu dei uma bronca de mãe nela: Peraí... eu não coloco minha vida em risco desse jeito não... Mãe é mãe... Eu sou mãe! Mas hoje, pensando sobre minhas atitudes e empolgações vida afora, concluo que raramente sei a hora de parar... e o skate ou ciclismo ou qualquer esporte mais radical não são as atividades mais perigosos da vida, e solto um grito silencioso: Mãe, me ensina a hora de parar!!!!



terça-feira, 6 de novembro de 2012

Palavras e sentires

De repente as palavras assumem um sentido devastador, muito além da realidade visível, palpável e vivível Castelos inteiros se constroem de palavras e, quando tudo implode, as palavras são gritos desesperados e desesperadores e tornam o que conhecemos como realidade um estado de torpor e os ambientes adquirem um detestável cheiro de decadência. As coisas vão ficando fora de lugar.... A ditadura das palavras organizadas em construções paradisíacas, afrodisíacas... dionisíacas... As palavras ouvidas, escritas e sentidas vão perfurando toda a nossa pele e envolvendo todo o nosso corpo físico e espiritual. Algumas pessoas são mais vulneráveis às palavras... Todas soms em alguma medida são - sem medida - vulnerabilidade não se mede, por mais que se tente,  a palavra vulnerabilidade não se limita, não tem contornos definidos. Escrevemos ou falamos e fabricamos realidades, pensando identificá-las... Já que tudo é realidade e a realidade não passa de uma impressão... como na tal da Matrix... e já não se pode saber com clareza em que dimensão se vive ou sonha... Perturbador isso, ridículo,,, talvez, Confuso, como negar? Certamente complexo,,, É o tal poder das palavras!!!  E,  se pararmos pra pensar, nenhuma palavra tem contornos definidos e todos os seres dotados de palavras extrapolam de si de alguma forma ou se consomem  em si mesmos e tentam consumir o outro num desejos de calar e fazer calar palavras em plena expansão... A expansão das palavras chama-se sentido!! E os sentidos são construções individuais, em diálogo com o coletivo, mas individuais... por isso manipular e manufaturar castelos de palavras pode tornar-se uma coisa envolvente e enlouquecedora, um jogo meio insano - e aí vem a pergunta: o que é sanidade??  Não crer em nada; crer em tudo. Sanidade é apenas viver e ir aprendendo com a vida, para desaprender logo em seguida. E como não se vive só, mas têm-se o eu solitário sempre mediando as relações, vêm o medo, junto com o medo o desejo de poder sobre o outro... e ninguém tem poder sobre ninguém, a começar sobre si mesmo e suas palavras e os sentidos que se fazem e desfazem... Só o amor sentido, jamais pensado, sequer pronunciado nem escrito ou descrito pode assegurar a dádiva de partilhar palavras sentidas, vividas. As palavras inventadas e apregoadas são borboletas tontas que se chocam contra os faróis na estrada da vida, onde carros como trabalho, projetos, shows, protestos... manifestos futuristas... passam apressados, soltando sentidos pela culatra.... Então pensemos por exemplo na palavra amor - o que ela evoca? Suavidade, tempestade, complacência, perdão, fantasia, engano... por amor se vive e se morre, por amor escolhe-se apenas passar pela vida - sem amar! Paradoxal, não é!? Tudo é e não é, ao mesmo tempo... Precisamos escolher o sentido das palavras que nos habitam e nos invadem e com as quais pretendemos dominar o mundo - o nosso mundo, sem nunca alcançar êxito, mas sabendo que o êxito reside na tentativa que nos aproxima de nós, ao nos aproxima do outro...   E ha aquelas palavras que são como carícias que precisam sair da gente e alcançar o outro... porque se continuar dentro de nós, as palavras são capazes de nos corroer, e corroem...


Mas não tenho senão palavras, com que construo mundos, poemas e histórias, e agora elas podem ter o poder destruidor de uma bomba atômica...

Cuidado com as palavras, aprendi que talvez seja melhor sentir mais e falar bem menos, mas o diacho que acabamos precisando de palavras pra sentir....
Desculpe a confusão, mas o meu sentir é um caos... e duvido que o seu também não seja!!!




quarta-feira, 6 de junho de 2012

Re-flexão

Depois de tanto tempo sem escrever neste blog, volto... acerto espaços, corrijo deslizes ortográficos. Fico parada olhado pra versos que eu escrevi, momentos acontecidos. Os momentos acontecem... os versos expressam sentires destes momentos... não constroem, nem destroem nem perpetuam momentos... este ir e vir sobre os escritos são como nossos ires e virem às nossas lembranças - que fazem parte do que somos sem mais efetivamente existirem, como o surreal da poesia...

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Minha paisagem ao telefone

Anabe Lopes

De repente uma canção...
e a noite se faz dia e o que era
triste se fez leve e dança
nos salões iluminados da poesia!

De repente a vida é mais viva
e parece caminhar ao reinício
e a alma salta morros, várzeas
precipícios e passeia alegremente
sobre campos elísios

De repente sou de novo adolescente
quando me roça suave a voz o ouvido
fazendo levitar meu corpo e mente
remexendo e comovendo os meus sentidos

De repente posso ver a paisagem:
terra quente, mata verde, sol nascente,
no céu um arco iris colorido
e a espera faz-se leve e reluzente
uma viagem excitante ao seu umbigo.