Pesquisar

terça-feira, 18 de novembro de 2014



quando às vezes me encontro
cansada a vista e a prazo
é que meu ser do meu corpo
se afasta e dista a minha alma
deste mundo
e em quase nada me comprazo
...não fora a brisa dos momentos a despertar
um brilhante aviso:
não há ensaio
nem a felicidade espera momento preciso
a vida se faz sempre no improviso!

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Espelho d'água

Poço das Esmeraldas - Chapada dos Veadeiros - Foto: http://pedaguas.wordpress.com/
Anabe Lopes

Tropeçando nos próprios passos,
o homem, pequeno, passa...
olhos perdidos pelo passeio público.
Pinça o passado
pensando no futuro...
Padecendo de presente,
Mergulha em si...
E quando é hora de sorrir, "X"...


Assutado, quer emergir...
Fixos os pés,
O corpo lembra leve 
o joão-bobo, corcoveia,
cai, levanta;
Viveu enraizada planta!

Há, houve, haverá
lágrimas, mas sorri, ora e
abrindo os braços à brisa
que pressente,
francamente levita e canta...
Por pouco não prescinde de si...
Persevera!

O homem sou eu!!

Tentando aprender
A não ouvir as dores
A projetar-se em versos...
Buscando a metáfora
que remeta fora
um sentimento...

Um verso: um universo!
E o mundo é pequeno
para qualquer de nós...
Mas ainda assim: "Mundo mundo, vasto mundo..."
Farta é a rima, mas sem solução...

Sempre me vivo,
Mas me sinto melhor se estou em ti...
Me vejo melhor, se reflexo na tua retina
São as tuas asas que me alçam voo
E com os teus pés sou-me bailarina
Oh! ser que passo,
a ser imagem, 
espelho d´água!


segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Ilações de sagitário

Anabe Lopes

 veja a imagem na fonte
            ...diz a wikpedia que Quiron, na mitologia grega, era um centauro considerado superior por seus próprios pares e aos seus pares.

Ao contrário do resto dos centauros, que eram notórios bebedores, indisciplinados, delinqüentes, sem cultura e propensos à violência quando bêbados,  Quíron era inteligente, civilizado e bondoso, culto e tinha habilidade com a medicina.  Toda essa coleção de virtudes explica-se por um antigo mito, segundo o qual, Quiron, filho de Cronos com a ninfa Filira – os demais centauros seriam fruto da união entre o rei Ixion, este permanentemente atado a um disco de fogo no Tártaro, e Nefele ("nuvem"), que Zeus – o poderoso chefão – teria criado à forma e semelhança de Hera, sua poderosa esposa.

Abandonado, Quíron foi encontrado e criado, como filho adotivo, por Apolo –  o deus da beleza, da perfeição, da harmonia do equilíbrio e da razão, ou seja o Cara!  Por isso Quiron manjava de artes, música, poesia, ética, filosofia, artes divinatória, ética, filosofia e profecias, além de terapias curativas e ciência – enfim Quiron era o que se pode chamar de fodão. Casou-se com uma ninfa. Teve seis filhas e um filho,  Caristo, grande curandeiro, astrólogo e um respeitado oráculo – das filhas nada se conta – o mundo – mesmo o mitólógico – foi e é sempre propenso a ser injusto com as mulheres.

Quíron era também altamente reverenciado como professor e tutor. Entre seus pupilos estiveream diversos heróis, como Ajax, Enéas, Teseu, Aquiles, Jasão, Héracles, Oileu, Fênix  – só pra citar os mais conhecidos – e, em algumas versões até o próprio Dionísio, o Baco da mitologia romana (o das festas e do vinho).

A nobreza de Quiron se reflete também na história da sua morte história: Quíron teria sacrificado sua vida, permitindo assim que a humanidade obtivesse o uso do fogo. Num intrincado jogo de fatos mitológios, que só lendo pra entender – ou não – Quiron trocou sua imortalidade pela liberdade de Prometeu, aquele pobre coitado que ousou roubar o fogo dos deuses e foi condenado a estar atado a uma pedra e ter o fígado devorado todas as noites por um pássaro, apenas podendo ser liberto se um imortal abrisse mão de sua imortalidade e fosse para o Hades – e olha só o quilate do nosso herói!

Quiron  era imortal, e fora ferido por uma flexa envenenada que o fazia sentir muita dor. Aí matou três coelhos com uma paulada só: indo para o Hades, aliviou sua própria dor, e libertou Prometeu e proporcionou aos pobres e reles mortais o uso do fogo! Daí existir a constelação de Sagitário (do latim sagitta, "flecha") em homenagem a ele.

E daí?... daí essa galera meio gente meio cavalo querer ser o melhor da espécie e manifestar, vez por outra, certi ímpeto de martír... daí todo sagitariano ser metido a quiron, mas no fundo bebedores, indisciplinados, delinqüentes, sem cultura... uns loucos (graças a Deus!). Voltando a pretensão quironiana, de ser o diferente e, disfarçadamente, superior... e lembrando de que o assunto da vez era relacinamentos... ih mas ainda não tinha dito isto... na verdade cortei lá do inicinho... papo de relacionamento é chato, tanto quento invevitável... E como não sei lidar com eles!!!

            Meu ser, sagitariano autêntico, integra a manada dos comuns com pretensões quironianas, talvez por tolice, sinto sempre que sou diferente.. e vou vivendo e vendo que todo mundo se julga um pouco assim, mesmo os que se dizem iguais...

Temos todos uma noçãozinha da eferemeridade da vida – e, eu, por decuidar tanto de mim, por tanto tempo, sinto a proximidade da morte – sofro de intensidades e vivo de sentimentos urgentes, a serem compartilhados, daí a necessidade de escrevinhar. Descreio da autosuficiencia. Afirmo que podemos ser independente em muitos aspectos, mas necessitamos imensamente de uma ajudinha pra sermos felizes e buscamos isso a todo momento. Momentos de solitude são legais, para pensar, sentir e escrever, mas necessitamos de companhia, necessitamos de amigos, necessito de amores – um de cada vez–, necessitamos de viver um grande amor! – E é assim mesmo, todos oscilamos entre o eu e o nós...

            Quando amo o mundo se resume ao ser que amo. Tudo de velho parece ter cara nova e é iluminado por uma luz azul divinamente brilhante. Não tenho, contudo, o desejo de aprisionar ou ser aprisionada. Desejo “apenas” voar junto, como duas borboletas sobre um imenso campo de flores, sabendo que cada uma verá as formas e as cores à sua maneira e, nesse voo conjunto, vão compartilhando visões e se maravilhando com a paisagem e que, naturalmente, por um momento ou outro, ambos empreenderão voos exploratórios em entros campos; mas, resistindo o encantamento que os une, voltarão a procurar-se, e nada será melhor que compartilhar paisagens guardadas no olhar – e isto não pode incluir traição!! Traição existe!!

            Visão bem romântica dos relacionamentos, mas tenho observado que é isso mesmo que a maioria de nós buscamos em nossos relacionamentos, é basicamente isso de que precisamos, com pequenas variações. Queremos a nossa alma gêmea, que nem sempre é idêntica, mas sempre complementar.

            Também sou um ser medroso e ciumento, mas quironianamente seguro e civilizado – quase sempre.  Passado os instingantes e felizes momentos inicias, os  quais na verdade eu desejo ardentemente que jamais passem, e pra mim nunca passam... até que seja obrigada a me desfazer deles... –, sigo minha velha tendência de esperar sempre o pior, por puro medo de me decepcionar... Pensando assim, minha ansiedade é incontrolável e, se precipito o pior, afirmo que aconteceria de todo jeito, mas será mesmo que aconteceria?! Pára com isso...

            Também sou ocupona... apesar de lutar para não invadir além da conta a vida e o tempo do ser amado... tenho muita pressa de descobrir coisas novas e redescobrir coisas velhas de novas maneiras... compartilhar, conhecer, criar, voar... correr de mãos dadas, andar na chuva... ler um livro com, ver um filme com, ir a um show com, dançar com, amar com, beijar com, abraçar o mundo com, compor versos e canções com... rir com... chorar com, se preciso for... construir e desconstruir com... – virtual e ou presencialmente... Sei que este entendimento quase não existe mais, então me pego a esperar  por outra vida, e nem creio em nova chance, não semelhante a que vivo agora... mas quem sabe... nesta tentaria ser apenas um poeta-pateta-ciclista...

            Toda a minha vida fui meio contemplativa, e mesmo nos meus momentos mais presentes, uma parte de mim voa por mundos e caminhos que eu queria desvendar, mas não posso... eu cuidei de mil pessoas, fiz mil coisa ao mesmo tempo – quase nada fiz direito –, descuidei de coisas importantes... descuidei principalmente de mim mesma, dos meus sentimentos... dos meus sonhos ainda luto pra lembrar...e agora, e sempre que estou feliz, tenho tanto medo de estar doente e de não ter mais tempo de me lembrar dos meus sonhos, e de amar o meu amor, e de esperar o que a vida tem pra mim, enquanto vivo intensamente o que a vida ora me dá.

Também tenho medo de médicos, prefiro um abraço demorado e curativo demorado, mas pode ser tão tarde... Posso eu mesma e o meu descuido ser responsável pela gradativa administração do meu próprio castigo, por ousar, depois de tanto tempo de quase inércia, ter coragem de me procurar, com a sensação de estar irremediavelmente perdida... ah como eu torço para viver muito...

            Eu não sei distinguir sonho de realidade. Vivo de amor tão imenso, tão intenso quanto leve... e sempre espero que o amor me leve. Quando estou acordada parece que a vida é um sonho, e, às vezes, quando adormeço, velhas realidades me visitam. É quando tenho certo medo ou vaga impressão de que o que vivo pode não ser de verdade... e o que é a verdade?? Talvez nem eu seja de verdade e a própria vida seja, em si, só um sonho... ou não sejamos mais que “um brinquedo de Deus...”

            Vejo as coisas complicadas de jeito muito simples e as coisas simples essencialmente incompreensíveis. Sou um ser contraditório... “humano demasiado humano”, como definiu Nietzsche.

**

Tava escrevendo isso, uma espécie de autoanálise, quando minha psicóloga me abandonou, voltando depois de um ano... e aí eu troquei a psicóloga por uma faxineira... agora sem psicóloga nem faxineira... a dois passos da loucura, distante do paraíso...  mas pra que ser normal??? O que eu quero é ser feliz!!!

  

domingo, 8 de setembro de 2013

Anabe Lopes

Quando o dia amanheceu,
A alegria, que já fazia ronda,
Não se fez de rogada...
Riu-se ruidosa ao meu lado
E revelou a poesia
Nova de cada nova manhã,
Por mais que se pareça
Com a manhã anterior
E por mais que se assemelhe
à manhã seguinte...
E, nesses momentos mágicos,
Pássaros sempre cantam...
E fomos todos
Tanto cantores quanto ouvintes
E a harmonia entrava
E saia de nossas transparências...
E eternamente, e sempre
até a manhã seguinte,
Houve paz
E éramos feitos de terra...
Roxa, pura e fértil...
Bastou comungarem-se
Chuva e sol da manhã
Para que vida, florescesse...
Roxa de amor!!!

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Exsaussurida

Anabe Lopes


Não quero mais entender Saussure
Antes, quero entender sussurros
Os seus 
Os meus
Dispersos... 
Nos ventos
Nas ondas do mar de pinheiros,
No mais simples dos versos
Em estradões, rios e trilhas
Nos rincões do universo
Na folha do coqueiro...
No céu azul submerso
Ou nas desconhecidas ilhas
... mas, antes ainda, e primeiro, o sussurro mudo
Dos sonhos do meu travesseiro
Mais antes ainda, e primeiro,
Os sussurros das dores de cada dia,
Os de prazer e os de alegria
Captar e transmitir amor...
Sussurrar surreal poesia!!



segunda-feira, 29 de julho de 2013

Tema antigo
Texto Anabe Lopes
Imagem: Internet


Às vezes estou no mundo, 
mas o mundo está distante de mim...
Uma espécie de visão micro-biológica...
dos arredores do vácuo...

Outras o mundo está perto;
eu, distante
escuto, mas não ouço...
enxergo, mas não vejo
e sinto minúsculo o corpo
- quando o mundo se perdeu dentro de mim -
e muito muito frágil...

talvez me sentisse assim quando criança...
Minha memória é fraca...
eu só sei sentir...

então me lembro de Carlos,
porque Carlos me revela o sentir
e me reintegro...

"Mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo,
isso seria uma rima
não uma solução" (Drumond de Andrade)