Anabe Lopes
Não quero mais entender Saussure
Antes, quero entender sussurros
Os seus
Os meus
Dispersos...
Nos ventos
Nas ondas do mar de pinheiros,
No mais simples dos versos
Em estradões, rios e trilhas
Nos rincões do universo
Na folha do coqueiro...
No céu azul submerso
Ou nas desconhecidas ilhas
... mas, antes ainda, e primeiro, o sussurro mudo
Dos sonhos do meu travesseiro
Mais antes ainda, e primeiro,
Os sussurros das dores de cada dia,
Os de prazer e os de alegria
Captar e transmitir amor...
Sussurrar surreal poesia!!
Sabe você o que vê o olhar brilhante do saruê? *** Eu me diluo e me construo em cada palavra que escrevo, talvez um dia consiga montar o meu perfil mais verdadeiro...
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quinta-feira, 22 de agosto de 2013
segunda-feira, 29 de julho de 2013
Tema antigo
Texto Anabe Lopes
Às vezes estou no mundo,
mas o mundo está distante de mim...
Uma espécie de visão micro-biológica...
dos arredores do vácuo...
Outras o mundo está perto;
eu, distante
escuto, mas não ouço...
enxergo, mas não vejo
e sinto minúsculo o corpo
- quando o mundo se perdeu dentro de mim -
e muito muito frágil...
talvez me sentisse assim quando criança...
Minha memória é fraca...
eu só sei sentir...
então me lembro de Carlos,
porque Carlos me revela o sentir
e me reintegro...
"Mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo,
isso seria uma rima
não uma solução" (Drumond de Andrade)
Texto Anabe Lopes
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| Imagem: Internet |
Às vezes estou no mundo,
mas o mundo está distante de mim...
Uma espécie de visão micro-biológica...
dos arredores do vácuo...
Outras o mundo está perto;
eu, distante
escuto, mas não ouço...
enxergo, mas não vejo
e sinto minúsculo o corpo
- quando o mundo se perdeu dentro de mim -
e muito muito frágil...
talvez me sentisse assim quando criança...
Minha memória é fraca...
eu só sei sentir...
então me lembro de Carlos,
porque Carlos me revela o sentir
e me reintegro...
"Mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo,
isso seria uma rima
não uma solução" (Drumond de Andrade)
segunda-feira, 8 de julho de 2013
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Sonho
Esta noite sonhei que chovia
E o meu corpo cansado
Respirava feliz a umidade da chuva
E o ar enchia todos os meus espaços
E me fazia um ser mais completo
Participante ativo da orla da poesia
E os meu olhos navegavam todo o mar adiante
E era para onde transportava a minha alma
E eu me cercava de peixes e algas
Golfinho e baleias dançavam ao meu redor
E então fui mais que uma mensagem na garrafa
Eu não apenas flutuava perdida nestes mares
Eu dançava sobre as águas...
Saibam, quem não viu, que nesta noite choveu!
Sonhei que amava...
Imagens da internet
terça-feira, 7 de maio de 2013
Aviso aos navegantes
Anabe Lopes
Às vezes fujo de mim
Outras fujo pra ser eu
Vou da escuridão ao claro
Navego do claro ao breu
E nem sei bem desde quando,
Nem de como aconteceu...
Se o meu coração despertou
Ou se de fato adormeceu ...
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
O dia em que o mundo derreteu
Anabe Lopes
O dia amanheceu como todo dia: muito
igual com algo de diferente...
Havia uma semana não se viam; há dois
dias se convencia de que a única saída, a mais digna, era conceder-lhe,
passivamente, o inegável direito de fugir.
Acordou meia hora mais tarde que o habitual, em decorrência das três
gotinhas milagrosas que a fizeram dormir, mentalizou a frase dos AA
(Apaixonados Anônimos): Hoje não vou chorar.
O pescoço doía-lhe um pouco. Alongou. Deitou-se novamente mais alguns
minutos. Quase chorou. Repetiu a frase mágica. Levantou-se.
Lá fora o sol, insuspeito, brilhava como de costume em dias de final de
inverno.
Mal deu os primeiros passos e notou que algo estranho acontecia ao
redor, ou seriam seus olhos represados? A parede, os quadros da parede, as
fotografias do mural... tudo ao redor parecia meio... líquido, enquanto seus
gritos internos de “Hoje não vou chorar” enrijecia-lhe o coração.
Dirigiu-se ao banheiro e, ao escovar os dentes, notou que o metal da torneira
escorria junto com a água. Mal pode concluir a escovação... a escova foi pelo
ralo segundos antes de o próprio ralo ir pelo ralo.
Malgrado o susto, a calma e a frase ainda se mantinha. Vestiu-se e foi
para a rua.
A frase soava-lhe alta, soava-lhe firme, soava-lhe forte.
A rua também não estava normal, mas não havia dor... apenas ecoava a frase:
Hoje não vou chorar!
Tentou pegar sua bicicleta e ir
pedalando para o trabalho. Ao tocá-le sentiu que ela também se liquefazia...
foi à pé. Tocou rapidamente o último girassol, e a flor se desfez, escorrendo de suas mãos
frágeis. Uma mulher velha passeava por entre líquidos canteiros, com pontos
coloridos a se misturarem no líquido marrom... sorriu ela, que se desmanchou
com o último sorriso. Voltou-se pra dentro de si. Notou que todos os seus
amores, lembranças, afetos, sonhos e desejos se derretiam... lentamente. Parou
num café e pediu um chocolate quente...
Derreteu-se a xícara o chocolate escorreu sobre o balcão que escorria
pelo chão que parecia agora criar uma camada líquida que misturava um pouco de
tudo: metal, porcelana, plástico, carne humana... arrastava passos pastosos...
Tudo o que conseguia pensar era “Hoje não vou chorar", ainda que o
mundo se derreta...
Dois milênios depois, quando os Venuzianos vieram explorar o planeta, não havia nada além de uma crosta estranha que remetia a um tempo em que tudo se tinha... derretido e era como se o planeta todos houvesse sido lavado por um grande rio... E num, ponto do planeta, apenas uma objeto se destacava, seria uma pedra? Concluíram que sim... era mesmo uma pedra. Ela era muito dura, a única coisa que não derretera.
Dois milênios depois, quando os Venuzianos vieram explorar o planeta, não havia nada além de uma crosta estranha que remetia a um tempo em que tudo se tinha... derretido e era como se o planeta todos houvesse sido lavado por um grande rio... E num, ponto do planeta, apenas uma objeto se destacava, seria uma pedra? Concluíram que sim... era mesmo uma pedra. Ela era muito dura, a única coisa que não derretera.
Era pontuda numa das extremidades achatada na outra, de cor vermelho
escuro, com alguns pontos bem pretos e pequenos veios nas
superfícies pétreas. Na parte achatada resquícios de dois largo tubos, com as
extremidades derretidas e a base empretecida... um passo adiante uma inscrição
na superfície derretida e solidificada... Com letras meio escorridas ... “Hoje
não vou chorar”.
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Como é que faz pra parar????
Minha filha sempre foi muito corajosa, desde muito pequena. Nos parques de diversão ia nos brinquedos mais tensos - sozinha -, porque eu, o pai e os irmãos tínhamos todos nossos medos. Ela não! Ela sempre foi, e ainda é, toda coragem!! Há cerca de um ano e meio recebi uma ligação dela. - Mãe acho que te puxei!!! Quase morri. Estou toda roxa de uma queda de skate. Skate, mas você nunca andou de skate? Ela tinha 19 anos! Nunca tinha andado de skate - gostava de patins -, quando se juntou a uma gangue de cristãos que se reunia todo domingo no eixão do laser - em Brasília - pra andar de skate. Coisa abençoada!!! E lá foi ela com sua louca coragem. Subiu no skate do amigo e mandou bala. Não estava presente, mas conhecendo minha menina, pude e ainda hoje posso ver. Ela linda e esguia em cima do skate, agitando os cabelos pretos ao vento... quando na descida, imagino que a cerca de 70 Km/h - que o que dizem que o skate atinge naquela área - em descida livre -, ela se lembra de uma pergunta básica, que as pessoas corajosas e felizes e com o agravante de nascer com o sol em sagitário quase nunca se lembram de fazer, e grita: Como é que faz pra paraaaaarr?? Naturalmente, em tal alta velocidade ninguém nos escuta, e se escuta e responde, nós não escutamos... e seguimos ganhando velocidade e perdendo o controle da situação, até o desastre... Ela acha que me puxou porque de uns dois anos pra cá começei a pedalar, fazer trilha e me aventurar em coisas que eles - meus filhos - nem sonhavam em me ver fazer, mas que eu sempre sonhei fazer... mas essas coisas faço com cautela, talvez em função de meu corpo não ser mais jovenzinho - tenho medo de quebrar ossos, principalmente os meus!! Também tenho medo de ferir sentimentos - se eu me ferir gravemente, minha mãe e meus fihos vão sofrer... A minha filha decidiu, na pressão, saltar do skate. Precisava ver como ela se machucou!! Ralou as costas, bateu com o maxilar, ganhou um imenso coágulo de sangue em cima do osso da cadeira, do lado direito. Se fosse meu filho Guilherme, ele saberia o nome desse osso... eu não! Foram dias de anti-inflamátório, radiografia do maxilar - felizmente tudo certo - e pelo menos dois meses de implasto quente pra desfazer o coágulo...
No dia que ela me ligou, eu dei uma bronca de mãe nela: Peraí... eu não coloco minha vida em risco desse jeito não... Mãe é mãe... Eu sou mãe! Mas hoje, pensando sobre minhas atitudes e empolgações vida afora, concluo que raramente sei a hora de parar... e o skate ou ciclismo ou qualquer esporte mais radical não são as atividades mais perigosos da vida, e solto um grito silencioso: Mãe, me ensina a hora de parar!!!!
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