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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Eu passarinho

Anabe Lopes

Foi quando vi certo olhar de rapina
a procurar pelo novo, que
uma palavra secretamente me confidenciou:
Viva!

Quase nada entendi - me lembrei - de ler mais tarde:
havia mistérios nas palavras - ler tem dessas memórias -
E elas vinha pelo vento,
em certos momento e em momento incertos...

E para entender de secretudes das palavras
e de ventos e debrisas... e da solidez que se desmancha no ar,
seria necessário ser iniciado
e, em se tratando de vento e vida e liquidez,
mesmo sentido e vendo e deixando-se correr-
se nasce, se vive e se morre iniciante...

Seguiu meu ser calado ao seu lado
e já não lhe sendo novo, fui passando - intuí:
sendo pássaro, melhor cantar poesia...
sei de poesia que somos o nosso próprio rio...

Isso contou-me o sabiá que avistei um dia
olhando da janela da minha solidão
e, enquanto o seu canto corria,
via flores ao longo do caminho
e outros pássaros que por ali simplesmente
passarinham e pronunciam canção
e catam pelo chão migalhas de palavras
a alimentarem suas asas delicadas...

E todos eles passarinham e passarinharão...


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